Aquarela e nanquim, feitos um para o outro + pôster para baixar

7 - Foto Cabeçalho

Eu sempre fui fascinada pelo nanquim.

Parece que tem algo de misterioso e antigo na sua negritude profunda, na forma como ele adere ao papel, nas canetas e bicos de pena. Sei lá… Até o nome soa especial, quase como música: nan – quim.

Só que eu nunca havia imaginado trabalhar com essa tinta, até um dia lá no ateliê quando a Chiara me perguntou se eu gostaria de experimentar. Topei na hora e escolhi a foto de um grupo de pessoas andando no deserto para ser reproduzida. Nela, havia apenas marrom, do claro ao escuro, nas cores e sombras das dunas e eu resolvi transformar esse marrom em preto e cinza ao usar o nanquim diluído com diferentes quantidades de água.

A pintura ficou assim:

7 - Pintura do deserto

Tecnicamente, não acho que ela tenha ficado boa, pois aconteceram muitas manchas das quais eu não gostei. Mas, foi com essa pintura que fiz a minha primeira descoberta sobre o nanquim: ele não gosta muito de água e responde melhor quando usado na sua concentração original. Principalmente, se formos tentar desmanchá-lo no papel como se fosse aquarela, aí é que ele “empaca” e mancha de verdade.

Porém, não desanimei e depois desse trabalho acabei comprando o meu próprio nanquim da marca Trident, uma caneta Uni Pin e comecei a pintar com aquarela e aplicar, ainda timidamente, o nanquim.

Foi assim na pintura dos meus meninos.

7 - Pop Art M&M

O que nos leva a minha segunda descoberta: o nanquim pode não gostar de água, mas ele ama a aquarela. Eles são perfeitos juntos: o drama e a profundidade de um com a delicadeza e a transparência da outra.

E foi por gostar tanto dessa combinação que resolvi fazer o primeiro pôster d´ACL a partir de um trabalho com aquarela e nanquim.

A aquarela original

A pintura que serviu de base para o pôster foi essa:

7 - Pintura pássaro original

Primeiramente, tracei o pássaro e os galhos numa folha do bloco Moulin du Roy, da Canson. Eles foram copiados do desenho de um papel para scrapbook da Chiara.

Depois do esboço pronto, pintei normalmente com aquarela e, por último, usei o nanquim, que foi inteiramente aplicado com pincel. Uma trabalheira!!!!! Mas, eu queria produzir uma textura falhada, como um carimbo ou xilogravura. Se eu tivesse usado uma caneta, os traços teriam saído suaves, precisos e mais uniformes, o que não era a minha intenção.

O próximo passo foi pintar o fundo com a cor Alizarin Crinson Hue da Winsor & Newton. Como o nanquim era a prova d´água, não precisei me preocupar em borrar o trabalho.

E, para finalizar, já que eu queria adicionar mais elementos vintage à pintura, usei aquelas toalhinhas de papel como estêncil. A cor foi a mesma utilizada no fundo, mas me preocupei em diluí-la com pouquíssima água para não destruir as toalhinhas, para evitar que a tinta escorresse e, também, para criar contraste com o fundo.

7 - Toalhinhas de papel

Você está gostando deste artigo? Então siga ACL pelo Facebook!

O pôster

Na hora da criação do pôster, eu digitalizei a pintura e decidi apagar no Photoshop todo o fundo feito em aquarela, pois quis criar uma base sólida que não “competisse” com o pássaro. Achei que na forma de pôster, ou seja, não sendo no papel de aquarela, ficaria melhor desse jeito.

Para manter a pintura das toalhinhas, fiz o mesmo processo de estêncil em uma nova folha de aquarela. Elas também foram digitalizadas e depois aplicadas no arquivo final do Illustrator.

7 - Toalhinhas de papel 2

E tchrammmm… Pôster pronto!

Print

E agora é só clicar aqui para baixar. Aí, você pode imprimir em casa ou levar para uma gráfica e imprimir em papel couché, por exemplo, no tamanho A3.

Mais sobre nanquim

Aqui vão algumas dicas para usar o nanquim:

  1. Dê preferência ao nanquim a prova d´água (water proof), assim você pode usá-lo antes, durante ou depois de aplicar a aquarela sem o risco de acabar com linhas pretas borradas no papel.
  2. Se for usar o nanquim em frasco, coloque-o em godê diferente do da aquarela, pois ele impregna e mancha o plástico.
  3. Eu nunca uso o nanquim com os meus melhores pincéis de aquarela, pois ele também “agarra” nas cerdas. E quando acabo de usar o pincel, o lavo com detergente neutro para limpar melhor.
  4. Também gosto de usar as canetas de nanquim. Todas as marcas que oferecem produtos profissionais para arte possuem sua própria linha, mas as que tenho hoje são essas:

7 - Canetas de nanquim

A – Uni Pin. As primeiras que comprei e, talvez por isso, pelas quais eu tenho mais carinho. Vem com pontas de 0,05 a 0,8 mm. São descartáveis e acabam rápido, na minha opinião.

B – Copic. Essa linha também é de caneta descartável. Tem algumas de pontas finíssimas, ideais para aqueles detalhes impossíveis!

C – Copic também, mas essa linha é de caneta recarregável. Achei o traçado bom, mas ela não desliza tão suavemente quanto a Uni Pin. Ainda não passei pelo processo de recarga.

  1. Não uso bico de pena. Testei um no ateliê e também comprei um baratinho para praticar mais, só que não me adaptei. Falha muito e tem que ficar pegando tinta o tempo todo! Mas, acho que deve ser um bom recurso, uma vez que você consegue fazer linhas mais orgânicas do que com a caneta e consegue variar a espessura do traçado com uma só ferramenta.

Divisor arabesco verde

Espero que você tenha gostado do pôster e que coloque SIM na sua parede! Se colocar, você manda foto pra mim, manda?!! É só postar nas redes sociais com a hashtag #blogACL ou enviar para falecom@acasalaranja.com.br.

E se estiver empolgada e quiser emoldurar o pôster, dê uma olhada no artigo sobre esse assunto já publicado aqui no blog.

Mais uma vez obrigada pelo seu tempo e por aturar passarinhos, aquarelas e nanquim até aqui.

Grande beijo,

Beth.

Compartilhamento

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inline
Inline